domingo, 2 de outubro de 2011

Como ensinar a ler

Por fim, para ensinar leitura deve-se levar o aluno a:

  • Localizar informações (postas, pressupostas e subentendidas) em um texto.
  • Inferir o sentido de uma palavra ou expressão.
  • Inferir uma informação implícita em um texto.
  • Identificar o tema do texto.
  • Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato.
  • Interpretar um texto com auxílio de material gráfico diverso (tabelas, gráficos, figuras etc.).
  • Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros.
  • Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições em que ele foi produzido e que será recebido.
  • Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando as repetições ou substituições que garantem a progressão textual.
  • Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa.
  • Estabelecer relação causa/consequência entre partes e elementos do texto.
  • Estabelecer relações lógico-discursivas marcadas por sequencializadores.
  • Identificar efeitos de ironia ou humor.
  • Identificar o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações.
  • Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.






ENSINAR A LER

Procedimentos/estratégias de leitura

A seguir, relembraremos alguns procedimentos e estratégias de leitura que poderão auxiliá-lo no seu trabalho em sala de aula. São passos que podem ser seguidos pelo aluno, para que sua leitura seja mais proveitosa.
Procedimentos de seleção e hierarquização da informação:
- Observar títulos e subtítulos.
- Analisar ilustrações.
- reconhecer elementos para textuais importantes (parágrafos, negritos, sublinhados,enumerações, quadros, legendas, etc.
- reconhecer e sublinhar palavras-chaves.
- identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos.
- relacionar e integrar sempre que possível, esse fragmentos a outros.
- decidir se deve consultar o glossário ou dicionário ou adiar temporariamente a dúvida para esclarecimento no contexto.
Procedimento de clarificação e simplificação de ideias do texto:
- construir paráfrases mentais ou orais de fragmentos complexos.
- substituir itens lexicais complexos por sinônimos familiares.
- reconhecer relações lexicais /morfológicas ou sintáticas.
Procedimentos de detecção de coerência textual:
- identificar o gênero ou a macroestrutura do texto.
- ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema.
- usar conhecimentos prévios extratextuais, pragmáticos e da estrutura do gênero.
Procedimentos de controle e monitoramento da cognição (capacidade metacognitiva)
- planejar objetivos pessoais significativos a leitura.
- controlar a atenção voluntária sobre o objetivo.
- controlar o trajeto, o ritmo e a velocidade de leitura de acordo com os objetivos estabelecidos.
- detectar erros no processo de decodificação e interpretação.
- associar as unidades menores de significado a unidades maiores.
- autoavaliar continuamente o desempenho da atividade.
- aceitar e tolerar temporariamente uma compreensão desfocada até que a própria leitura desfaça a sensação de desconforto.


O que é ler?

Quando os alunos leem? Como podemos fazer com que se interessem pela leitura?

As crianças aprendem a ler participando de atividades de uso da escrita junto com pessoas que dominam esse conhecimento.


Ler é interagir - quem lê está em contato com quem escreveu o texto(autor), com as ideias de uma ou várias pessoas. Recorre as as próprias ideias para conferir o que conhece sobre um assunto, para criticar ou concordar com o autor . Portanto.
a leitura só desperta interesse quando interage com o leitor, quando faz sentido
e traz conceitos que se articulam com as informações que já se tem. Ler não é fácil, exige esforço mental e físico . E, como tudo que dá trabalho , muitas vezes
tendemos a abandonar. Por isso, o professor deverá se dedicar com empenho para atingir o objetivo de estimular a prática da leitura dos alunos.
Ler é conhecer - a leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo
de construção de significados do texto a partir do que está buscando nele do conhecimento que já possui a respeito do assunto, do autor e do que sabe sobre a língua - características do gênero , do portador , do sistema de escrita... O gênero
o autor , o título e muitos índices nos informam o que é possível que encontremos em um texto . assim se formos ler uma história de Monteiro Lobato chamada Viagem ao céu , é previsível que encontremos determinados personagens, certas palavras da astronomia e podemos certamente esperar que alguma travessura acontecerá.
Ler e variar e escolher - um trabalho que prevê um contato com a diversidade de textos permite que o aluno conheça diferentes estruturas textuais, amplie seu vocabulário e enriqueça sua produção textual, obtendo maior desempenho na sua competência comunicativa. Os textos , como unidades comunicativas, manifestam diferentes intenções do emissor procura informar, convencer, seduzir,entreter etc. O fato de o aluno ter contato com diferentes gêneros textuais
possibilita que ele seja capaz de escolher o texto que esteja mais adequado com as suas intenções de comunicação.
Ler é recriar, refletir e criticar - por fim é essencial ressaltar que cave ao professor ensinar seus alunos a realizarem uma leitura crítica, em que eles sejam capazes de atribuir sentidos ao que leem, distinguir contextos, funções, estilos, intenções , argumentos , pontos de vista , para que se tornem leitores mais competentes nas diferentes situações comunicativas, capazes de compreender o mundo ao seu redor e agir de maneira crítica e reflexiva . Nesse processo de leitura, os professores devem suprir as informações não disponíveis no acervo de conhecimento enciclopédico dos alunos, facilitando a sua compreensão do texto . Eles devem, então fazer perguntas facilitadoras dos ´processos de inferências, trabalhar a interxtualidade , propiciar a interação e cotidiano do aluno.


MODULO LEITURA

Leitura – compreensão

Na leitura, a compreensão efetiva envolve:


  • Decodificação de signos.
  • Interpretação de itens lexicais e gramaticais.
  • Agrupamento de palavras em blocos conceituais.
  • Identificação de palavras-chave.
  • Seleção e hierarquização de ideias.
  • Associação com informações anteriores.
  • Antecipação de informações.
  • Elaboração de hipóteses;
  • Construção de inferências;
  • Compreensão de pressupostos;
  • Controle de velocidade;
  • Focalização da atenção;
  • Avaliação do processo realizado;
  • Reorientação dos próprios
    procedimentos mentais.

MODULO LEITURA



Compreensão leitora: qualidade da leitura

Convido você, caro cursista, a fazer um “mea culpa” Link externo e parar para pensar em qual é a sua qualidade de leitura. Você está lendo o que quer ou somente o que é obrigado? Qual leitura lhe dá mais prazer?

Outro aspecto muito importante a ser levado em consideração é o objetivo da leitura. Alguns autores falam em finalidades da leitura – digamos que a leitura não deve ser vista como um fim em si mesma, mas como um meio para chegar a um fim.
Mea culpa
é uma frase latina que em português pode ser traduzida como “falha minha”, ou “meu próprio erro”. De forma a enfatizar a mensagem, o adjetivo maxima pode ser inserido, resultando em mea maxima culpa, que poderia ser traduzido como “minha mais [grave] falha”.

Significado Popular

Popularmente, a expressão mea culpa adquiriu um significado específico, no qual, ao fazer um mea culpa, alguém admite ter cometido um erro ou ser responsável por algum fato trágico. Por exemplo, Lewis Hamilton (piloto de Fórmula 1) admite mea culpa em relação às polêmicas.

Coesão textual - Charge

Na charge, a personagem com a faixa presidencial é uma mulata com traje típico de carnaval. A seu lado, apresenta-se uma moldura com duas caricaturas: uma do candidato Alckmim e outra,
do até então pré-candidato Garotinho. Ambos olham para a morena; contudo, por meio da projeção de um balãopensamento, percebe-se que seus olhares estão direcionados, na verdade, para a faixa presidencial. O código verbal é expresso nos balões-fala dos dois personagens. Alckmim, por empregar uma interjeição e um vocativo e colocar a mão no peito, demonstra passar mal. O motivo desse mal-estar revela-se polissêmico, já que, pelo cenário carnavalesco e pelos olhares lançados à mulata, ela seria o objeto de seu desejo, deixando-o mal. Por outro lado, conforme observado, a faixa presidencial seria seu verdadeiro alvo e, com isso, interpõemse os dois planos, caracterizando o deslocamento. Por tudo isso, pode-se afirmar que se trata de uma coesão endofórica, já que os possíveis referentes estão presentes no texto. A fala de Garotinho também revela essa ambigüidade, uma vez que há dois objetos possivelmente desejáveis: a faixa e a mulher, todavia o vocativo – Alckmim – remete ao sentido político, porque se trata de dois
candidatos à presidência da república. A polifonia aparece, ainda, na frase presente no plano superior da charge, pois não é possível reconhecer o dono dessa voz, que pode advir tanto do autor, quanto da mulher, embora a marca com o destaque em sublinhado sugira se tratar de um título. Nele, o pronome endofórico “eles” refere-se aos candidatos, enquanto o outro endofórico “naquilo” precisa ser reconhecido por meio do código visual faixa presidencial (ou atributos sensuais da mulata?). Essa ambigüidade demonstra o caráter condensador de dois sentidos distintos no âmbito verbal da charge. Nos dois casos, a classificação seria de coesão referencial por substituição pronominal. Também são reconhecíveis pela contribuição do contexto discursivo e, nesses casos, pelos campos semânticos: carnavalesco e político.
Síntese

As charges de Chico, de O Globo, e de Ique, do Jornal do Brasil, parecem dialogar a respeito do mesmo assunto, que é metaforizado, (cinzas: fim do carnaval), e relacionado ao presidente
e a seus companheiros do PT. Com isso, nota-se a intertextualidade em relação ao tema, que reflete a preocupação dos jornais classe3 “A” com a situação dos políticos desse partido.
Ressalta-se, então, um contrato comunicativo nos dois jornais, em que os sujeitos comunicantes criticam o governo Lula e seu partido, satirizando sua situação atual, em fim de mandato.
De maneira diferente, os jornais classe “B” – O Dia e Extra – voltam-se para as eleições presidenciais de outubro de 2006. No primeiro jornal, o tema é o uso político da posição de presidente por parte de Lula, já em campanha e, no segundo, as intenções de outros dois candidatos. Assim, no contrato de comunicação verificado nessas duas charges, o sujeito comunicante está mais preocupado com a postura dos candidatos para as próximas eleições.
Em relação aos recursos expressivos, as duas primeiras charges se aproximam, uma vez que utilizam a polissemia como principal recurso, enquanto as duas últimas revelam a polifonia.
Daí, a presença de título e balão-fala nessas, como recursos que veiculam diferentes pontos-de-vista. Constata-se, nesses textos, a presença da coesão exofórica que se concretiza por meio da coesão lexical, como é o caso de “cinzas”. Essa conclusão também foi observada em um estudo
anterior, conforme Aragão e Pauliukonis (2006, p. 129), “os níveis semântico e lexical são vinculados, normalmente, aos aspectos exofóricos (ou de conhecimento de mundo), mas facilmente retomados na própria superfície textual”.
CONCLUSÃO
O gênero charge apóia-se na circunstância social de produção e, por isso, exige um alto conhecimento de mundo para a sua interpretação. Esse traço revela a presença da coesão exofórica praticamente em todo o corpus. Esse tipo de coesão exige um contexto que forneça pistas para o reconhecimento do referente, daí a necessidade de um leitor atento que observe os mínimos detalhes que podem estar expressos no código verbal ou nãoverbal. Com isso, nota-se que ela não se confunde com a coerência textual, pois, embora ambas contribuam para a unidade interpretativa, a coesão implica certo tipo de referência. Outra observação a respeito dessa coesão corresponde à dupla referência propiciada por esse mecanismo em função da
ambigüidade presente no contexto, que remete a dois campos semânticos. Trata-se de uma propriedade propiciada pela própria natureza dos processos de referenciação. Com isso, torna-se eficiente para a construção do humor e, ao mesmo tempo, da crítica. Para concluir, cabe levantar o questionamento de qual dois processos, coesão endofórica ou exofórica, oferece subsídios para
um texto crítico. Na primeira, todo o processo de remissão é explícito ao texto, enquanto, na segunda, o leitor é obrigado a realizar todo esse processo sozinho. Dialogando com a epígrafe de
Possenti (1998, p. 31), corrobora-se o caráter direto da coesão endofórica, configurando maior ousadia ao texto, já que todos os elementos se encontram na superfície do texto.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANTUNES, Irandé. Lutar com palavras: coesão e coerência. São
Paulo: Parábola, 2005.
ARAGÃO, Verônica Palmira Salme de Aragão. O não-dito construído
pelo viés do humor nas charges. Dissertação de Mestrado.
Rio de Janeiro: UFF/Instituto de Letras, 2006.
–––––– e PAULIUKONIS, Maria Aparecida Lino. O processo
inferencial na construção do sentido na mídia. In: Letras & Letras:
Revista do Instituto de Letras e Lingüística. Uerlândia: UFU,
vol. 22, nº 2, jul.-dez. de 2006.
DUCROT, Oswald e Todorov, Tzvetan. Dicionário enciclopédico
das ciências da linguagem. 3ª ed. São Paulo: Perspectiva 2001.
KOCH, Ingedore Villaça. Coesão textual. 2ª ed. São Paulo: Contexto,
1990.
–––––– e ELIAS, Vanda Maria. Ler e aprender: os sentidos do
texto. São Paulo: Contexto, 2006
FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e coerência

CHARGE - Aroeira, O Dia

A charge compõe-se da relação entre dois campos semânticos de maneira complementar: o carnaval – com os semas do código não-verbal (tanga, serpentina e confete) e do código verbal
(legenda) – e a campanha presidencial, com os semas do código não-verbal (Lula e a faixa de presidente) e do código verbal (título e fala). A coesão exofórica atua nos dois campos semânticos, remetendo ao momento de eleição e à presença do Lula no Carnaval. A crítica se apresenta implicitamente aos dois códigos em função da faixa presidencial que Lula usa num momento que, em princípio, seria de descontração. Nesse sentido, o emprego do dêitico “eu” carrega uma ironia, que parte do sujeitocomunicante com o objetivo de criticar um possível oportunismo de Lula, visando as eleições.

Modulo cont. COesão Textual Na charge - 2

Com relação a charge Caruso - O Globo. Já, no segundo, aparecem as caricaturas expresidente
do PT – José Genoíno – e do ex-ministro de Comunicação - Luiz Gushiken, também acusado do mesmo delito. Sendo assim, o advérbio de tempo e o nome que compõem
o título da charge caracterizam-se pela coesão exofórica, pois somente com esses conhecimentos em torno dos acontecimentos políticos vividos no Brasil torna-se possível a atribuição de seus
respectivos referentes. Ressalte-se a importância do código nãoverbal,que contribui endoforicamente para a ativação desses conhecimentos, uma vez que oferece um contexto em que os elementos presentes na superfície do texto remetem à situação real. A coesão referencial por substituição2, Fávero (1995), do pronome “nos” possibilita o reconhecimento do sujeitoenunciador. Além disso, há outra coesão exofórica, ambígua, verificável no nome “apuração”, que remete aos mesmos dois campos semânticos: carnaval e político. Isso é possível, porque, no carnaval, as escolas de samba são avaliadas, “apuradas”, para a escolha da campeã, assim como a prática dos políticos serão, pela CPI. Nota-se, portanto, a contribuição da coesão exofórica para o humor e para a crítica, em função da escolha de léxicos ambíguos. Já a coesão referencial propicia o reconhecimento da fala do personagem, estabelecendo um diálogo com a linguagem nãoverbal O código verbal manifesta-se na legenda, em fonte menor regular, que está acompanhada do número 3, e no título, em fonte maior e negrito, que se refere às pesquisas eleitorais feitas pelos órgãos públicos. A legenda refere-se à fantasia de Lula, contudo o anafórico “(3)” não apresenta o referente explicitado na superfície do texto. Trata-se de um exofórico que exige conhecimentos extratextuais de difícil remissão. Essas expressões junto à caricatura de Lula contextualizam sua pergunta “Campanha, eu?”.